Ronco: não ignore este sinal de alerta!
Blog do Dr. Adriano Caldart
A grande maioria das pessoas não sabem mas o ronco não é apenas uma situação incômoda para aqueles que são obrigados a escutar o barulho. A maior vítima é o próprio roncador pois este sintoma pode ser um sinal de uma doença mais grave, que se não for tratada adequadamente pode evoluir, trazendo inúmeros riscos à saúde do indivíduo.
Durante o sono, quando o ar passa por uma garganta muito estreita ou obstruída, ocorre uma vibração dos tecidos que estão ao redor (úvula, palato mole e língua), ocasionando o ronco. As principais causas deste estreitamento são as alterações anatômicas da faringe (aumento das amígdalas e adenoides, excesso de tecido no palato mole e úvula), flacidez muscular, obstrução nasal (devido a desvio de septo, rinite e sinusite), mandíbula retraída e obesidade. A ingesta excessiva de bebidas alcoólicas, tabagismo, uso de medicamentos calmantes, dormir de barriga para cima e comer muito antes de dormir são alguns fatores de risco que favorecem o aparecimento do ronco.
Roncar diariamente pode ser o primeiro sinal de que o paciente esteja apresentando a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAHOS). Essa doença se caracteriza pela parada repentina da respiração durante o sono e a consequente redução da oxigenação do sangue. Essas oscilações de oxigênio aumentam o risco de complicações cardiovasculares e podem levar ao infarto e AVC.
Pessoas que sofrem deste problema devem procurar um Otorrinolaringologista de sua confiança para uma avaliação completa da história clínica e do exame físico. Na grande maioria dos casos recomenda-se a realização de um exame de Polissonografia para identificar melhor a causa do problema e sua gravidade.
O tratamento do ronco e da apneia varia desde o controle dos fatores de risco e mudanças de hábitos de vida até o uso de dispositivos que ajudam a evitar o estreitamento e colabamento das estruturas da garganta. Entre estes dispositivos podemos citar os aparelhos intraorais e as máscaras especiais (CPAP). Estas últimas, além de melhorar muito o ronco e os episódios de apneia, afastam o risco de problemas cardiovasculares e de hipertensão. As cirurgias são reservadas para casos específicos de alterações anatômicas importantes.
Dicas para amenizar o ronco:
- Manter o peso ideal = A deposição de gordura ao redor das estruturas do pescoço causam estreitamento, prejudicando a passagem de ar.
- Evitar abuso de álcool á noite = Assim como alguns tranquilizantes e medicamentos para dormir, o álcool relaxa muito a musculatura do corpo e facilita o colabamento das estruturas da garganta.
- Evitar dormir de barriga para cima = Está posição facilita a queda da língua para trás causando estreitamento da faringe e vibração de seus tecidos. A melhor posição para quem ronca é o decúbito lateral.
- Ter um intervalo entre comer e deitar = O intervalo ideal entre a última refeição do dia e o sono deve ser de no mínimo 2 horas.
- Investigar e tratar problemas respiratórios.
- Não fumar